O Globo quer ter monopólio das perguntas e respostas

Quando eu já achava que nada mais me surpreenderia na imprensa brasileira, o jornal O Globo conseguiu se superar.

Em matéria intitulada “Petrobrás vaza (sic) em blog informações obtidas por jornalistas” o jornal choraminga a divulgação no Blog da Petrobrás de entrevistas concedidas a alguns jornalistas:

o blog quebrou a confidencialidade de perguntas enviadas à assessoria de imprensa da estatal por jornalistas dos principais veículos de imprensa do país.

Como assim confidencialidade? De onde O Globo tirou que respostas dadas a perguntas de jornalistas são confidenciais?

O mi-mi-mi de O Globo continua afirmando que:

Além de violar o sigilo dos órgãos de imprensa, a prática da Petrobras ignora regras estabelecidas pela própria estatal em sua comunicação com terceiros.

Que sigilo dos órgãos de imprensa é este que eles inventaram? Que eu saiba o objetivo da imprensa é publicar informações e não manter informações sigilosas.

Claro que o disclaimer existente nos emails da Petrobrás é bizarro, tendo em vista que se trata de uma resposta a um jornal, mas em nada invalida o fato de que as perguntas e respostas poderiam ter sido publicadas, pois é óbvio que não pode haver qualquer confidencialidade em uma entrevista para um veículo de comunicação de massa.

Se o jornalista quer confidencialidade em suas conversas, melhor procurar um psicoterapeuta. Exigir confidencialidade das suas fontes é, não só paradoxal, mas um claro manifesto de sua incompetência. Será que tudo o que ele pode oferecer a seus leitores é o monopólio de suas perguntas geniais e a exclusividade das respostas de suas fontes?

A Internet e os blogs acabaram com o monopólio do jornalismo e o desespero é tanto que eles querem ter o monopólio das perguntas e respostas. Ou o jornalismo brasileiro muda e deixa de se basear no monopólio das perguntas e respostas ou será substituído em breve pelas assessorias de imprensa.

O bom jornalista não precisa do monopólio das perguntas e respostas e nem de um diploma universitário. Ele faz bom jornalismo e pronto. Os demais, em breve, nada mais serão que moleques de recado das assessorias de imprensa.