Minas Gerais é a mais nova aquisição do Google

O governo de Minas Gerais fechou uma parceria com o Google para doutrinar estudantes da rede pública do estado no uso de softwares proprietários.

O trato é simples: o Google entra com softwares que já estão disponíveis gratuitamente na Internet para qualquer interessado e o governo de Minas mantém os estudantes da rede pública longe de softwares livres, doutrinando nossos jovens desde cedo para o uso de softwares proprietários.

O que o Google ganha com a parceria: milhares de consumidores de seus serviços, com significativa ampliação de mercado.

O que Minas Gerais ganha com a parceria: NADA, pois os softwares já se encontram disponíveis gratuitamente na Internet.

O que Minas Gerais PERDE com a parceria:

1. Os softwares do Google são gratuitos, mas não são LIVRES. Se amanhã, eles resolverem “vender” o serviço (ou o software) nossos estudantes já terão se acostumado a usá-los e se sentirão pouco estimulados a migrar para uma plataforma livre;

2. Os softwares do Google, em tese, podem armazenar DADOS PESSOAIS dos usuários e remetê-los para a matriz nos EUA. Informações pessoais de milhares de estudantes (consumidores) mineiros serão enviadas todos os dias para o exterior para serem usadas como bem entender pela multinacional.

As vantagens do SOFTWARE LIVRE que a parceria do governo de Minas com o Google põe de lado:

1. Software livre será sempre gratuito, pois sua licença impede qualquer tipo de restrição à distribuição gratuita no futuro.

2. Software livre é aberto e permite aos programadores verificarem se ele faz tão-somente o que se propõe a fazer. Nada garante que um email apagado no Gmail seja de fato apagado no servidor. Ele pode ficar armazenado por lá para avaliar estatisticamente as preferências de consumo de seus usuários.

Só espero que a “parceria” não se estenda ao uso dos softwares do Google em órgãos da administração estadual, pois aí teríamos ainda um problema de segurança de estado, já que todas as informações eletrônicas do governo de Minas Gerais (desde emails enviados e recebidos até documentos escritos nos softwares do Google) estariam potencialmente acessíveis à empresa estadunidense.

Como já nos alertava Cynthia Semíramis em 2001, o uso de software livre não é uma mera questão de gratuidade, mas principalmente de segurança, pois somente com o código aberto, teremos a certeza de que o software faz tão-somente aquilo que se propõe a fazer.

E como já afirmei antes, o uso de software livre deve ser obrigatório pelos órgãos estatais, como corolário do princípio constitucional do livre desenvolvimento tecnológico.