De uniforme diferente: o livro das agentes

Recomendo a todos a leitura deste livro do Prof. Virgílio Mattos que será lançado no próximo dia 13 de abril, às 9h, na Escola Superior Dom Helder Câmara. Abaixo o prefácio que escrevi para a obra:

De uniforme diferente: o livro das agentes – Virgílio Mattos

Prefácio – Túlio Vianna

Este não é mais um livro jurídico escrito em uma torre de marfim. Este livro foi escrito em uma masmorra de areia que, se ainda existe, é porque até os ventos fazem curvas para não terem que visitá-la. Este livro é um sopro a plenos pulmões. E como sopra este Virgílio Mattos!

Virgílio é meu eterno mestre preferido do Direito Penal. Dentre as muitas coisas que aprendi com ele, uma das mais importantes você aprenderá também lendo este livro: o Direito não se faz em gabinetes com ar condicionado, mas nas ruas que enlameiam a barra da calça de seu terninho bem cortado. Este livro tem cheiro de suor.

Poucos são os juristas dispostos a enfrentar o trabalho de campo. É muito mais penoso que a produção dogmática, é muito menos valorizado por seus pares e, principalmente, é preciso ter consigo uma dose de sonho incomum nestes dias em que o sucesso profissional equivale a ser aprovado em um concurso público.

Ir ao presídio olhar de perto o que o Direito criou e, a partir daquele lugar físico e teórico, botar os dedos na ferida é um grande desafio. Virgílio foi, olhou e viu. Para ir e olhar é preciso antes de tudo disposição; pra ver é preciso perspicácia. E a perspicácia de Virgílio é tamanha que ele percebeu que lá não se encontravam presas apenas as presas, mas também suas vigias.

“De Uniforme Diferente” é, nas palavras do próprio Virgílio, um livro sobre “mulheres que custodiam outras mulheres e – disso quase nenhuma delas se dá conta – que também estão presas, embora esse regime semiaberto seja ao contrário: elas trabalham presas e vão dormir em casa, ao contrário daquelas que saem para trabalhar e voltam para dormir na penitenciária”.

No fundo ninguém queria estar ali: nem as presas, nem as agentes, nem Virgílio.

É possível também que você não queira ler este livro. Nós entenderemos.

Só não é possível defender um modelo punitivo tão sofrível e excludente para todos que com ele convivem diariamente sem saber do que se trata.

Este livro de Virgílio aponta para este modelo e diz: “Vejam, oh, é de areia!”.

Respirem fundo e soprem com ele.

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2 thoughts on “De uniforme diferente: o livro das agentes”

  1. Me parece bem interessante. Alias, até aonde sei é deficitário para não se dizer nulo o material produzido sobre As agentes. Excelente ver que isso está sendo corrigido.

  2. Sendo material com leitura recomendada pelo mestre Túlio, é bom que se leia; e que esse livro seja deglutido com a sagaz sede de quem quer ver o Direito direito. Perspectivas como essa são necessárias na produção do conhecimento científico e, na questão operativa do Direito, em respeito a muitos operadores anônimos da área, é saudável, vez em quando, olhar atrás da cortina. Lê-lo-ei, certamente.

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