O riso como arma dos covardes

A história é sempre a mesma. Um engraçadinho faz uma piadinha/brincadeira politicamente incorreta, alguém reclama indignado e a resposta vem da ponta da língua do idiota: “Era só uma brincadeira! Você não tem senso de humor?”

Esta resposta pré-fabricada que busca eximir de culpa o piadista por qualquer imbecilidade dita, nada mais é do que um truísmo que visa silenciar o debate sobre o preconceito expresso na “brincadeira”. Afirmar que o que foi dito era uma uma brincadeira é uma verdade óbvia, mas o simples fato de ser uma brincadeira não isenta o palhaço da responsabilidade pelo que foi dito.

O riso nem sempre é a arma de contestação social expressa no provérbio castigat ridendo mores (castiga os costumes rindo), utilizado com frequência como emblema de vários teatros. Este provérbio, cunhado por Jean de Santeuil no século XVII, a propósito da máscara de Arlequim, tem um antecedente muito mais revelador em Horácio que, no ínicio de suas Sátiras (1,1,24 s.), indaga: Ridentem dicere verum / quid vetat? (rindo se diz a verdade / quem impedirá?).

O riso nem sempre é um instrumento de crítica social. Muita vez, o riso é tão-somente um instrumento para se afirmar algo que se teme dizer a sério. Quem impedirá?

Sírio Possenti, grande estudioso das piadas como manifestação cultural, afirma que:

O humor nem sempre é progressista. O que caracteriza o humor é muito provavelmente o fato de que ele permite dizer alguma coisa mais ou menos proibida, mas não necessariamente crítica, no sentido corrente, isto é, revolucionária, contrária aos costumes arraigados e prejudiciais. O humor pode ser extremamente reacionário, quando é uma forma de manifestação de um discurso veiculador de preconceitos, caso em que acaba sendo contrário a costumes que são, de alguma forma, bons ou, pelo menos, razoáveis, civilizados, como os tendentes ao igualitarismo, sem dúvida melhores que os seus contrários.
POSSENTI, Sírio. Os humores da língua: análises linguísticas de piadas. Campinas: Mercado das Letras, 1998. p.49.

Então quando alguém se vale do truísmo “Era só uma brincadeira! Você não tem senso de humor?”, o faz no intuito de tentar persistir afirmando seus preconceitos sem ser contestado, pois amparado pelo manto covarde do riso.

Sim, eu tenho senso de humor, mas não sei rir da desgraça alheia. Não sei rir da escravidão, dos campos de concentração, da violência doméstica, dos espancamentos de homossexuais, nem de qualquer piada ou brincadeira que direta ou indiretamente faça troça da submissão de um grupo social por outro.

Se ser moderninho, divertido e criativo é zombar de minorias políticas, eu prefiro ser o babaca sem senso de humor que denuncia estes covardes que se escudam no riso para manifestar seus preconceitos.

A genialidade do humor está em zombar dos que oprimem e mostrar o quão ridículo são seus preconceitos. Riamos da classe média e de seus valores pequenos burgueses, dos homófobos posando de machões, dos machistas tomando inevitáveis foras de mulheres inteligentes e, principalmente, da indignação de muitos brancos em ver um negro na presidência do país mais rico do mundo.

Riamos de Danilo Gentili tentando justificar sua piada racista, com mais preconceito e com um post racista, achando que estava sendo irônico no título, porque idiotas são os politicamente corretos.

Riamos da vergonha que os preconceituosos têm de se assumirem preconceituosos e do onipresente uso do truísmo “foi só uma brincadeira” como um saco de papel onde escondem a cara da execração de gente com senso crítico.

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Atualização em 28/7/2009 às 9h30:  Quem acha  impossível ser engraçado zoando o racismo, veja o vídeo do Chris Rock citado no comentário da Talita.

Atualização em 1/8/2009 às 11h:30: Excelente artigo acadêmico sobre o que discutimos aqui: A mediação do riso na expressão e consolidação racismo no Brasil. (via @maria_fro)

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74 comentários em “O riso como arma dos covardes”

  1. Eu passo sempre auqi por isso, é difícil encontrar gente sensata. No mais, suas palavras sobre o que é politicamente correto no riso foram excelentes.
    Alguém precisa dar umas aulinhas de ética pro Danilo Gentili.

  2. ‘Riamos da vergonha que os preconceituosos têm de se assumirem preconceituosos e do onipresente uso do truísmo “foi só uma brincadeira” como um saco de papel onde escondem a cara da execração de gente com senso crítico.’

    Brilhante!

  3. o pior de tudo que no brasil, gente como danilo gentili e o humor “inteligente” que a trupe dele faz na TV é sucesso… absurdo! ótimo post!

  4. Concordo com quase tudo, mas discordo de que Gentili seja racista (como categoricamente afirma o texto) ou queira propagar o “racismo” com suas ações recentes.

    Sou neto de negros e tenho uma irmã negra, e afirmo que ninguém aqui em casa viu RACISMO nos comentários/entrevista/texto do Danilo. Vimos apelação, vimos infelicidade, mas não vimos RACISMO propriamente dito.

    Entendemos algumas pessoas podem ter se sentido ofendidas, pois muito provavelmente sofreram na adolescência graças as infames “brincadeirinhas” envolvedo macacos/pretos ao ponto de ainda hoje não tem superaram o trauma. Ou então teme que suas crianças sofram do mesmo modo.

    Não subestimem o percepção, a sensibilidade e o senso de justiça inerente a maioria, ao ponto de acreditar realmente que tais piadinhas tem a força de formar um indíviduo verdadeiramente discriminador.

    Acreditem: este “humor”, por mais infeliz que seja, não tem toda essa força.

    Abs.

  5. Pior que o riso, só mesmo quando o “anonimato” é usado como arma dos covardes!

    Reiterando meus últimos tweets: O humor canhestro e tosco de Danilo Gentili foge do “ipsis litteris”. Longe de defendê-lo, mas por que levá-lo a sério?

    Lado outro, o brasileiro é um híbrido de hipocrisia incubada e senso de humor duvidoso. Fácil vislumbrar hipocrisia embutida no racismo e vice-versa.

    “Muita vez, o riso é tão-somente um instrumento para se afirmar algo que se teme dizer a sério. Quem impedirá?” — concordo.

    Pesam contra Danilo Gentili a inabilidade para operar a ironia e descaso para com o senso do ridículo.

  6. Continuo achando que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa.

    Danilo Gentili se excedeu, ou não prestou a devida atenção, terminou usando o termo “macaco” que é extremamente ofensivo no Brasil.

    Ele deveria ter pedido desculpas e esquecido a história, até mesmo porque a piada era ruim.

    Mas isso não me impede de rir da desgraça dos outros, e minha preferência por humor negro e ácido continua.

    Ou vão querer que tirem de circulação “O Grande Ditador” de Chaplin, por fazer graça com a situação dos judeus? Chris Rock, por contar piadas zombando os negros?

    Imagino o auê que esse quadro causaria hoje, o twitter viria a baixo:

    Racismo! Racismo! Mau gosto! QUEIMEM ELES!

  7. …[Sou neto de negros e tenho uma irmã negra, e afirmo que ninguém aqui em casa viu RACISMO nos comentários/entrevista/texto do Danilo]…
    Se não viu, peço para que a sua família releia o texto, pois associar pessoas a animais nunca foi uma forma de exaltá-las. Sentir-se ofendido porque um comediante meia-boca disse que vc é igual a um animal coberto de pêlos, sem racícinio não é uma resposta inesperada.
    E sim, tais piadinhas tem o poder de formar um indivíduo discriminador porque ela reafirma velhos valores da sociedade. Um adolescente que acha que nós negros parecemos com macacos se sentirá mais confortável para afirmar isso se uma figura pública o faz.

  8. idiota é quem não consegue fazer uma piada que questione o poder, o 1% de pessoas defendidas por esse humor vazio e sem graça, pois piadas preconceituosas é muito mais fácil de se criar. politicamente correto é o humor preconceituoso.

  9. Acredito que é o mesmo ‘humor’ que move as pessoas a rirem de alguém que tropeça, que bate a cabeça sem querer, é a sensação e que, colocando o outro no ridículo, transporta-o para algo superior.

    Todos carregamos algo assim dentro de nós, algo meio animalesco, só acho que, quando excedemos vale o pedido de desculpas.

    O problema é quando vivemos de exceder, aí nos tornamos só esse sarcasmo ambulante.

  10. sem contar que ele parte da premissa idiota de que sim, pode-se chamar um homossexual de veado, um gordo de baleia e por aí vai. Ué, quem disse que pode? Ele mesmo. Ahtáentãotábão.
    Simplesmente desolador o cenário. =(

  11. Adorei o texto, Túlio.

    Eu acho que o humor é uma das ferramentas mais poderosas de subjugação e de silenciamento — se não a mais poderosa. Justamente por causa disso que vc escreveu. Com a piada, as idéias discriminatórias são transmitidas e reforçadas através das gerações, mas, quando alguém reclama, vc sempre pode se esconder atrás da pretensa falta de seriedade, da pretensa falta de relevância. Mas piadas são manifestações culturais como quaisquer outras. E também elas podem e devem ser analisadas sociologicamente.

    Eu vejo no texto do Gentilli (que eu acho tão boçal e sem graça quanto o chefe dele, mas é que eu tb não sei rir da minha desgraça nem das desgraças análogas à minha, né?) MAIS UMA tentativa de retirar as coisas de seu contexto.

    Gentilli enxerga o cara que se afirma negro, que diz ter orgulho da sua cor, como um idiota — aifnal, quem inventou o conceito de raça foram os brancos que o escravizaram. E porque raça na verdade não existe, etc. Ou seja: Gentilli só reconhece o histórico de escravidão quando lhe convém. Não acho que ele seja burro a ponto de não compreender que um cara que se orgulha de ser negro está apenas reagindo a este passado de escravidão e a todas as mensagens que o estimulam a ter baixa-estima (entre as quais a piada do Gentilli se inclui).

    E raça não existe, claro — mas a idéia ainda vigora e causa discriminação em termos de renda, de escolaridade, de empregabilidade, etc. Logo, negar que a distinção de raça ainda importe, como se a gente JÁ VIVESSE num mundo de caixa de lápis de cor, é de uma ingenuidade imensa. Essa negação só pode mesmo ser feita por um cara branco, que não sofre na pele os efeitos do racismo. Como, para ele, cor da pele nunca foi um impeditivo de nada, então dá para negar. Queria ver se ele fosse negro. Aliás, cadê os humoristas negros do CQC?

    Me amarrota que eu tô passada com tanta ingenuidade — ou má fé.

  12. Túlio Vianna

    Muito bom o post, ele levanta umas bolas interessantes e também reflete um bocado do momento político em que vivemos. Houve um época que se fazia um humor contestador, anárquico e inteligente no Brasil. Algo que teve seu começo lá pelo Pasquim e nos cartunistas que foram aparecendo. Isso fazia frente a um humor tradicional de piadas repetidas e familiares, conservador tanto na forma quanto no conteúdo, mas não intrinsecamente ofensivo.

    Peguemos dos anos 80 para cá: Mesmo programas do mainstream como “Os Trapalhões” apresentavam um certo rompimento com o estilo tradicional de fazer humor e já trazia alguma crítica social.

    Talvez o grande elo perdido dessa metamorfose que passamos seja o Casseta e Planeta. Era espetacularmente inovador e contestador para o um programa da Vênus Platinada, mas com o tempo foi se deixando adestrar a ponto de se esterilizar e retroceder tanto na forma quanto no conteúdo.

    Hoje em dia, nos deparamos com programas como um CQC ou um Pânico e vemos um forma moderninha e supostamente contestadora que se ampara em símbolos do humor crítico de pouco tempo atrás, mas o usa apenas como instrumento para difundir um conteúdo filo-fascistóide; um quê do humor de uma ala da burguesa que ri de sem-tetos, de homossexuais e de negros e não de quem provoca a miséria, do homófobo ou do racista.

    Ambos têm como público alvo uma juventude de classe média/alta que odeia Lula por suas origens e não por seus defeitos, que sai de casa pisando nos moradores de rua que finge não ver e que critica o politicamente correto porque ele tolhe o seu direito sagrado de fazer piada com negros. Também vendem um estilo de vida e uma adoração à burrice, do tecnicismo em detrimento do pensamento.

  13. Olha…

    Uns 10 anos atrás o Jô Soares era “humor inteligente”. Hoje ele foi promovido a “chato pra caralho”. Interessante é que hoje em dia ele faz exatamente a mesma coisa de sempre.

    Eu assisti CQC uma vez na vida. Por 10 minutos. Já foi suficiente pra alinhar os jovens na coluna do “chato pra caralho”

    E ainda racista? Pô, o povo não se cansa de se superar…

  14. Thilá,
    Tenha certeza que meus familiares negros não precisam reler. A não ser você esteja insinuando que por serem negros são incapazes de compreender na primeira leitura..

    (viu como é fácil sacar da manga um argumento apelativo de “vítima oprimida” quando é conveniente? 🙂

    Piadas praticamente todos sofrem na adolescencia: o gordo, o magro, orelhudo, o dentuço e etc. Este argumento _sozinho_ não sustenta toda essa imputada “injutiça” que o texto tenta transmitir.

  15. “A genialidade do humor está em zombar dos que oprimem e mostrar o quão ridículo são seus preconceitos.”

    Discordo. Citando também Horácio, na mais célebre passagem das suas sátiras: “quid rides? Mutato nomine, de te fabula narratur”. (De que ris? Mudando o nome, é de ti que a história fala). Rir junto com o humorista de outro pode até ser bom e inteligente, mas é incompleto e às vezes é hipócrita, como o humor de classe média. O melhor humor, pelo menos o mais espirituoso, é aquele que não aponta, mas ri de si mesmo, reconhece em si mesmo o preconceito e zomba do ridículo da própria opressão.

  16. Mario Fernandes,

    O fato de você não se importar com com piadas sobre negros, apesar de vir de uma família de negros, não faz com que a piada não seja racista. A piada contada por Gentili, além de chamar os negros de king kong (lembrando que históricamente os negros foram considerados algo menos que humanos, justificar, assim, a escravidão), dá a entender que um negro só poderia namorar uma loira (brancas) se adquirisse o status (dinheiro) que teria se fosse jogador de futebol. De qualquer ângulo que olho a piada, não posso deixar de considerá-la racista.

  17. Túlio Vianna,
    Adorei o texto. Já tinha lido parte de texto do Gentili e seu texto básicamente expressou tudo o que eu gostaria de comentar no blog dele, apesar de ter preguiça mental para discutir com alguém que escreve um post do nível do escrito por ele.

  18. É aquela coisa, né? Quando uma pessoa desinformada se apresenta para tecer comentários a respeito de uma tema que extrapola o seu próprio conhecimento, o resultado é inevitavelmente um desatre. Danilo é um desatre, sempre foi, e o único conhecimento que ele tem para fazer humor limita-se ao uso do constragimento. Após um debate com um falso João Gordo, a equipe do CQC preparava uma matéria para constranger o real JG, conforme matéria da MTV: “Essa suposta briga derrubou uma pauta que Rodrigo Scarpa, o Repórter Vesgo, queria fazer com o João Gordo. O objetivo do repórter Vesgo era perseguir João Gordo dizendo que ele é o causador do surto de gripe suína.”

    E no Brasil esse tipo de gente dá certo porque, infelizmente, boa parte do Brasil é isso. Considera que a chacota é humor. E diante disso só se pode duas coisas: lamentar ou denunciar e questionar os limites da inteligência (ou falta dela) no humor brasileiro. Parabéns pelo texto.

  19. Acredito que essas piadinhas já dominam o inconsciente de muita gente. As pessoas riem. E não pensam muito nisso, nem se sentem agredidas.Uma pena, pois acredito que temos que questionar velhos comportamentos, para tentar melhorar as coisas nesse mundo.

    Também achei a piada muito racista e de muito mal gosto. Acho que o Danilo Gentilli foi ‘tomado’ pela fama, e acredita que pode falar o que quiser, pois claro, tem uma legião de fãs que riem. Quem ri? Branco, classe média pra cima, paulistano. Garanto que é o perfil dominante.

    Quanto ao post do Danilo, tentando explicar-se. Emenda pior que o soneto, como já diz a expressão. Seria melhor desculpar-se e refletir a respeito. Mas preferiu agir com soberba e justificar-se, de maneira muito estúpida e incoerente, diga-se de passagem. O rapaz não sabe onde termina o humor e inicia um assunto muito sério. Não tem limites. Vai sofrer muito se não aprender isso logo.

  20. Laura, consideramos seu tipo visão do que é “racismo” revanchista, vingativa e patrulhadora, por mais que jurem falar em nome da Justiça.

    Não há como negar que a piada seja maliciosa e maldosa (como o humor ácido geralmente é), mas sinceramente não a consideramos RACISTA como aqui colocam.

    Eu, se pudesse, pediria ao Danilo pra que “pegue leve” e ENTENDA o fato de muitos irmãos negros ainda não conseguem conviver com brincadeiras que explorem sua raça; talvez por baixa auto-estima, complexo de inferioridade, falta de orgulho próprio, etc etc. É compreensível. Não os culpamos por ainda não terem superado essa vulnerável fase.

    Conosco, acreditem ou não, palavras não mais nos machucam, pois não são fortes o bastante pra abalar a convicção que temos de que neste mundo somos todos iguais.

    Encerro minha participação.
    Um abraço a todos os irmãos.

  21. Parabéns Túlio!
    Falou o que muita gente queria falar por ter ficado engasgado com a piada e, no meu caso, principalmente com a reação do piadista, desdenhando das críticas e de outras opiniões.
    Deve ter aprendido bem com o Deputado Sérgio Moraes, aquele que pouco se lixa para a opinião pública.
    Grande abraço!

  22. Cara, o conteudo da piada é o de menos, o que realmente importa é como ela é expressa, para isso nao existe formula, é no olho-a-olho. eu posso te chamar de burro e ser uma brincadeira, mas tambem dependendo da situaçao e do tom de voz pode ser um ato totalmente ofensivo, agrassivo, e isso pode gerar complicaçoes.

  23. Sensacional o texto, pela sua coragem e perspicácia!!

    Coragem, sim, porque é preciso ser corajoso para afirmar o que afirma contra a patrulha que patrulha a suposta patrulha do politicamente correto.

    Eu também não costumo ver graça nenhuma em piadas que zombam de pessoas em situação de opressão e/ou que lutam contra ela. Piadas dessas só reforçam essa opressão. Meu rosto não se move um músculo para rir. Pelo contrário.

  24. Alguém aí comparou o humor do Gentilli ao humor do Chaplin e do Chris Rock. Sinceramente, vejo uma grande diferença entre eles.
    No filme, Chaplin tira sarro do ditador e não dos judeus.
    Quanto a Chris rock, ele tira sarro das situações e clichês relacionados à cultura do negro americano, mas não necessariamente concordando com eles, pelo contrário!
    Ele tem uma piada ótima em que diz que no seu bairro só há milionários, e seu vizinho é um dentista branco. Ele compara: os poucos negros do meu bairro são celebridades de hollywood ou da música, gente muuuito famosa e destaque em suas áreas. Já os brancos, são caras comuns como esse dentista, que nem é o melhor dentista do mundo nem nada. Ele arremata dizendo: se um dentista negro vivesse no meu bairro ele teria que ter feito algo excepcional na sua área, tipo inventar o dente! Genial hehe
    Tem um desenho que segue essa linha de humor: The Boondocks. Super ácido, com vários personagens que personificam estereótipos do negro americano. Tem o negro racista, o negro malandro, o negro casado com uma loira… Mas o legal da história está no protagonista, que é um garotinho negro politizado que é super crítico em relação ao modo como os negros e brancos ao seu redor agem. Isso sim é humor ácido pra mim. Chamar negros de macaco é humor sem-graça, pra dizer o mínimo.

  25. Infelizmente, meus caros, o humor não respeita certas restrições de pensamento, certos vieses ideológicos, nascidos há menos de três decadas, e englobados sob a — outrora fame, hoje infame — alcunha “politicamente correto”.

    Trata-se de algo mais antigo que civilizações, esses tais mecanismos neurais que levam ao riso. Senão vejamos: piadas envolvendo flatos, sexo, sotaques e uma leve (ou pesada) xenofobia podem ser encontradas já em Pompéia (mas também num fragmento da antiga linguagem minóica recentemente traduzida).

    Não tentem negar certos aspectos de nosso humor, pois vocês apenas perdem com isso, uma vez que suas doutrinas vão perder credibilidade e seriedade. De fato, certos aspectos profundamente politicamente incorretos de nosso senso de humor possuem grande resiliências a doutrinas políticas aguadas e da moda (seus filhos hão de rir delas, fiquem tranqüilos. Aliás, já rimos dela, quando vemos um episódio engraçado de “Family Guy” ou um livro como “Contos de fadas politicamente corretos”).

    Finalmente, observo que a ojeriza política a certas piadas, sua tentativa de erigi-las em tabu, pode ser empírica e prontamente assistindo a este filme:

    http://en.wikipedia.org/wiki/Borat:_Cultural_Learnings_of_America_for_Make_Benefit_Glorious_Nation_of_Kazakhstan

    É muito difícil não rir uma única vez sequer das piadas machistas, misóginas, anti-semitas e chauvinistas contidas nele, como demonstram centenas de milhões de pessoas no mundo todo (e todos os meus amigos e conhecidos, hehehe).

    Se alguém é incapaz de rir uma única vez durante o filme, então atrevo a me dizer que esse alguém já se encontra num estágio de lavagem cerebral politicamente correta além do bem e do mal.

    Abraços!

  26. Quanto a esta frase:

    “A genialidade do humor está em zombar dos que oprimem e mostrar o quão ridículo são seus preconceitos.”

    Discordo em vários níveis dela. Agorinha teremos de pedir permissão ao Comissário ou à Patrulha Ideológica para rirmos de certas piadas? Tipo: rir em face de pequeno-burguês é permitido, mas não de “proletário”?

    Não, prezado, a genialidade do humor está, pura e simplesmente no seguinte:

    EM FAZER-NOS RIR!

    hehehehe!

    Abraço!

  27. Mario Fernandes nos comentários disse tudo. O preconceito está sendo visto de forma bastante distorcida. É preconceito rirmos de uma minoria mas não de uma maioria? Quando a gente faz piada de chinês então é permitido! Eles são 2/3 do mundo! “A genialidade do humor está em zombar dos que oprimem e mostrar o quão ridículo são seus preconceitos”. Com essa perdeu toda a razão.

  28. Muito obrigado pelo post, sei que nós Negros precisamos deixar o complexo de inferioridade e correr atrás dos anos que passamos no cativeiro sem poder nos aperfeiçoarmos como seres pensantes (Homo Sapiens), Como diz Gabriel pensador em uma de suas letras: E desde sempre não pára pra pensar
    Nos conceitos que a sociedade insiste em lhe ensinar
    E de pai pra filho o racismo passa
    Em forma de piadas que teriam bem mais graça
    Se não fossem o retrato da nossa ignorância
    Transmitindo a discriminação desde a infância
    E o que as crianças aprendem brincando
    É nada mais nada menos do que a estupidez se propagando.

  29. não acredito que o q ele disse tenha toda essa força… casos mais graves , tantos escandalos e ninguem faz nada … Obvio que isso nao justifica nada, mas se tantas pessoas que estao reclamando desse momento infeliz do rapaz, fosse lutar por atos mais concretos de racismo e desordem, acho q valeria mais a pena… Basta olhar o que o senado anda fazendo… não so com negros, mas com toda a populaçao independente da raça , e nao vi metade de comentarios sobre isso em todos os blogs q eu leio…
    desculpe, mas eh minha humilde opinião

  30. Sou apaixonado por humor, não sou humorista, mas adoro textos, videos, sátiras de coisas inteligentes que me façam rir.
    Apesar disso, tenho sérios problemas em rir de problemas pessoais, do humor negro, entre outras coisas que me incomodam.
    Todas as vezes que fiz humor de minorias sociais (apesar de não gostar muito deste termo), foi pq eu tinha amizade muito grande com um representante da classe em questão. No caso, antes de “bricar” com o assunto, eu apresentava a idéia para um amigo e se a pessoa não gostasse eu pedia desculpa e a coisa acabava ali.
    Não sei ao certo se Danilo Gentilli foi racista, me deu mais a impressão de prepotencia. A reação dele foi meio infantil. Não seria feio ele pedir desculpas e pronto, mas quis sair por cima, ser o espertão que pode tudo.
    Gostei de sua reflexão. Não concordo com tudo, mas Parabéns! De verdade.

  31. Gostei de como se referência achismos entre os bem educados. Copio o post apenas para usá-lo contra gente bem-educadinha e que menospreza os outros (alguns até entre os frascos e oprimidos, bem como diz o Danilo).
    Bem, “doutor”, o que posso falar exceto que enquanto ladras a caravana continua a passar…
    Se vc tem uma ideia incrível, é melhor fazer uma piada. Está provado, filosofia não se faz no Brasil..

  32. Bem, não entendi nada, então. Mas minha mensagem é simples: as tentativas de politizar o humor, de conferir selo de qualidade (política) a ele, é:

    (i) inócuo;
    (ii) baseado em uma teoria de mente ultrapassada (sobre isso, ver o último livro do Steven Pinker “A Linguagem do Pensamento”, especialmente o capítulo em que ele discorre sobre a dinâmica do “palavrão” e de suas relações estreitas com o “sagrado”);
    (iii) last but not least: muito pouco bem-humorada.

    Numa coisa concordamos todos, porém: o humor tem algo de transgressor. O problema é que a faca aponta para todos os lados, hehehe: direita, esquerda, anões, mulheres e purtugas.

    Abraços!

  33. Esse debate pode ser ótimo para colocar o racismo brasileiro como pauta.

    Encontrei duas peças aqui que considero importante divulgar:
    “A mediação do riso na expressão e consolidação racismo no Brasil” – artigo publicado no núm. Sept./Dec. 2008 da ‘Sociedade e Estado’ da UnB:
    http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-69922008000300007&script=sci_arttext&tlng=e

    Acórdão do TRF-4, maio/2009, que condena professor que teria feito piadas racistas em sala de aula da UFRGS:
    http://www.espacovital.com.br/noticia_ler.php?id=14733

  34. Sou obrigado a ficar com o pé meio atrás, pois eu mesmo sou adepto do humor negro, e literalmente não tenho pudores na hora de falar palavrões ou mesmo criticar, mas reconheço que existe limites para explorar o humor, ou mesmo responsabilidade por parte de pessoas públicas formadoras de opinião em tempos conturbados como os nossos, e de que esses devem utilizar do pudor na hora de fazer uma piada ou coisa do tipo, e não se esconder atrás de direitos fundamentais ou mesmo criticar uma consciência pública conquistada através de muito sofrimento. Talvez vivamos tempos mais puros no quais todos tem direitos, mas não devemos criticar esses tempos e sim comemorar pois a luta para conquistar isso foi muito difícil e complexa.

  35. O texto está perfeito. O humor, como qualquer outra ferramenta de linguagem, pode se prestar a qualquer causa. Ainda assim, o caso do Gentili não é um bom exemplo. Qualquer pesssoa com um mínimo de honestidade intelectual não encontra nenhuma intenção nefasta que não de tirar sarro de algo que, bem ou mal, circula no imaginário popular – não fosse assim, ninguém teria entendido a piada, correto? Nessa discussão sobre racismo, há muito “coitadismo” envolvido, há uma “vontade de denúncia” que insiste em mirar nos alvos errados, e é, sim, pra lá de mau humorada. Encontramo-nos em uma situação tal que chega a ser impossível, por exemplo, não gostar de um indivíduo negro. Não gostar de um branco, vá lá, motivos devem haver. Não gostar de um negro? Racismo, só pode ser. Está faltando um negro vir dizer que não se ofende com tão pouco. Na roda de amigos, ao menos, todo mundo ri junto – brancos e negros. Os racistas que verdadeiramente deveriam estar sendo combatidos não são gente de muitas brincadeiras.

  36. Sou a favor de varias ideias do professor, mas sou contra essa. Estamos vivendo um caça as bruxas, todos temos que ser politicamente corretos, é péssimo. Conte-nos, então, uma piada professor!

  37. acho que vocês levam a vida muito a sério.

    Vejo gente falando e falando. Mas é sério, eu não sou negro e não posso dizer “a situação da preta” que vem gente atacando e levantando bandeira (sim, conheço muita gente engajada no movimento negro que não sabe distinguir X de Y).

    O problema é não saber equilibrar a balança. “De ambos os lados” rola o 8 ou 80 (mas que malditos lados? isso não deveriam existir).

    Enfim. Não sou negro, mas sou gordo. E bicho, posso te garantir que ser GORDO na escola é traumático. Mas como vocês falaram do humor aí, só existia um meio de me livrar das chacotas na escola que era eu mesmo me “chacotear” quando os outros iniciavam as ofensas, ou seja, com bom humor!

    Mas talvez eu esteja REDONDAMENTE enganado e deva fundar um MOVIMENTO GORDO e lutar por cadeiras maiores no cinema e nos aviões, roletas maiores e etc? Quem sabe até mudar o nome do objeto utilizado para se EFETIVAR o futebol. Talvez, eu possa inclusive processar alguns comentaristas, afinal “pimba na gorduchinha” é deveras ofensivo.

    E pra quem pediu o apresentador negro no CQC, também queremos um apresentador gordo, um apresentador homossexual, um apresentador asiático e um apresentador nordestino? Em breve teremos uma rica fauna de apresentadores do CQC.

    Só acho que essa CARACINZENTA de vocês não vai levar a mudar nada. As coisas são modificadas com exemplos. Quando estiver com seus filhos e virem um mendigo ou um garoto negro, nada de agarrar a bolsa com mais segurança ou esconder a carteira na cueca…

    cinco – gordo e nordestino e brasileiro.

  38. A piada do Gentilli foi racista. Como um humorista ele corre esse risco de fazer uma piada e ela bater na trave. Desculpas resolveriam o erro. Afinal, que jogue a primeira pedra quem nunca fez um gesto que seja que não fosse machista, racista, homofóbico e por aí vai. Não significa que devemos deixar passar em branco esse tipo de coisa, mas que, como diz Millor, “errar é humano e culpar os outros também”.

    O que foi revoltante foi o texto do Gentilli em seu blog. Pelo título do post – “Um post racista” – o humorista, acredito eu, estava sendo irônico já que o texto não tinha a intenção de ser racista. Acontece que o texto do post vomita racismo, como chamar alguém de burro por usar uma camiseta “100% negro”. Alem de tentar silenciar de forma autoritária qualquer crítica com esse argumento “te acho chato pra caralho” ao final do post.

    Enfim, Gentilli quer ser engraçado e viver disso, mas não aceita qualquer tipo de crítica a piadas que venha a fazer. É uma pena, o humor não ganha nada com esse tipo de postura. É como o cara que faz a piada, ninguém ri e ele culpa os outros por não entenderem a piada.

  39. Parabéns pelo texto, Túlio.

    O bom senso é necessário nessas horas para denunciar mais ainda a burrice e a má-fé que estão sendo desveladas.

    Não conhecia o programa, nem o jovem. Mas aparentemente não é de hoje que ele vem fazendo aquilo que ele considera como “humor”.

  40. Demétrio matou a pau no comentário 47.

    As reclamações sobre a piada do Gentili me fizeram pensar na revolta da PETA quando o Obama matou uma mosca. Ainda que ele estivesse errado, e a situação é bastante ambígua, vale a pena gastar tanta energia condenando ele?

    Abraços,

    Lucas Murtinho

  41. Oi, tomei a liberdade de colocar um link para esse post e copiar alguns trechos no meu blog, se você não se importa.
    gostei muito do texto.

  42. Olá.

    Concordo plenamente com o que foi dito aqui, e me espanta ver pessoas negras que não percebem a agressividade do que disse Gentili (que eu nem conhecia antes do fatídico episódio). O pior é o argumento COVARDE do “humorista”: “eu não disse a cor do jogador, vocês é que assumiram que ele era negro…”

    Ele ainda quer passar a culpa para nós! NÓS é que automaticamente pensamos que o jogador fosse negro, não foi isso, jamais, o que ele quis dizer! Racistas somos nós, que achamos que qualquer piada que antropomorfize macacos é racista…

    Gostaria de sugerir a leitura de um artigo mto interessante, chamado “Democracia racial: o não-dito racista”, de Ronaldo Sales Jr (Mestre e Doutor em Sociologia/UFPE): http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0103-20702006000200012&script=sci_arttext&tlng=pt

    Túlio, vou segui-lo no Twitter.
    Gostei mto do seu blog.

    Um abraço.

  43. Nossa, adorei o texto, vou indicar pelo twitter e depois em algum blog.

    semprei pensei parecido..
    e bom humor não é a mesma coisa que rir da desgraça dos outros, ou de incentivar mais preconceito e discriminação, e a maioria do que as pessoas chamam de piadas não são nada além disso.
    rs tb n conhecia o danilo gentilli 😛
    vivo em outro mundo acho

  44. Para quem citou o Borat e, redundantemente chamou suas piadas de “machistas, misóginas, anti-semitas e chauvinistas”, já que não há como desenhar na caixa de comentários, vou ter que, mais uma vez, explicar por palavras mesmo que o filme ridiculariza justamente os preconceitos citados, fazendo graça de um personagem estúpido que acredita em todos eles. O maior mérito do filme é justamente fazer com que pessoas reais exponham seus preconceitos ao conversar com o que julgam ser um repórter estrangeiro. Borat é um belo exemplo do humor defendido pelo autor do blog, que humilha o opressor.

  45. Túlio,

    Existe um estereótipo que acaba colocando o humor a um patamar alheio à inteligência, ao respeito, aos preconceitos.

    É como se, no momento do humor, não estivéssemos sendo nós mesmos. Por isso, acaba sendo válido desrespeitar o próximo, pois é um momento de insanidade em que é permitido xingar, rebaixar e humilhar o outro. Tal qual uma válvula de escape.

    E se esquecem que os valores sociais, queiram ou não, estão embutidos em qualquer esfera de debate, seja na mesa do bar ou na sala da justiça.

    Uma variante do truísmo que você citou, pode ser: “Perco o amigo, mas não perco a piada”.

    Infelizmente, o brasileiro e até mesmo os humoristas profissionais, estão levando essa frase ao pé da letra.

  46. Tulio,
    Seu post e os comentaristas são um exemplo de que existe vida inteligente no Brasil. Danillo (que conheci aqui, depois do post racista dele) e o publico que ri com ele, junto com os que assinam a cartilha (esta sim) política e socialmente correta que reza que “não somos racistas”, na minha opiniao fazem parte de um grupo fadado à extinçao. Contrariamente ao que parece quando vemos estas idéias absurdas ganhando espaço na mídia, o nível de conhecimento da populaçao brasileira sobre o racismo e outras mazelas está aumentando. As pessoas nao engolem mais o padrão “global” de felicidade excludente, e a cada dia mais gente troca de sintonia. Está se aproximando o dia em que estas idéias desumanizantes serao relegadas ao lixo da história, tanto quanto a justificativa nazista para a eliminaçao dos judeus o foi. Sou otimista, acredito que um dia todo jovem brasileiro terá vergonha do passado racista do seu país, ao invés de exibi-lo como troféu, como fazem hoje. Na caminhada até lá, espaços como o seu fazem A diferença, não se calando diante da idiotia que tenta se disfarçar em humor para ver se consegue existir para além do seu espaço pequeno-burgês.

  47. Prezado Alan,

    Obrigado pelo “redundante”. De elogios assim depreendemos o bom humor. Bem, qualquer um que tenha assistido no youtube os sketchs que o Sacha Baron Cohen (criador de Borat e Ali G) percebe que o objetivo dele não é nem tanto “denunciar” algo — aparentemente ele não tem uma pauta política clara — mas pura e simplesmente extrair gargalhadas de uma platéia. Desde Aristóteles sabemos que, se a tragédia nos faz simpatizar com as vicissitudes de personagens “melhores” do que nós próprios, a comédia é o contrário: nos faz rir com feitos e desfeitas de personagens “piores” do que nós próprios. A grande sacada do humorista Sacha Baron Cohen foi a de criar personagens “desprezíveis” que — ao mesmo tempo — conseguem extrair de pessoas desprevenidas o que de desprezível havia escondido nelas.

    Mas contra fatos não há argumentos. Assita ao último filme do Cohen, “Brüno”. Aquele tipo de humor cáustico ao extremo não parece caber em vossa estreita definição de humor permissível.

    Pela libertação do humor dos grilhões mentais travestidos de “bom-mocismo” político!

    Abraços bem-humorados!

  48. Parabéns! Brilhante texto! O que pessoas como Danilo Gentili não entendem é que chamar um negro de macaco não é uma simples “piada”. Há todo um elemento histórico por trás disso. Os negros foram chamados de “macacos” ao longo da história numa tentativa de desumanizá-los. Um macaco, algo não humano, não poderia portanto ter os direitos de um cidadão comum.
    Acho mais ridícula ainda a tentativa de explicação posterior:

    “Alguem pode me dar 1 explicacao razoavel pq posso chamar gay de veado, gordo de baleia, branco de lagartixa mas nunca um negro de macaco?”

    Quem disse que você pode chamar um homossexual de viado?? Este rapaz claramente não conhece o Código Penal, principalmente o crime “Injúria”. Sem falar nas repercussões civis em uma eventual ação indenizatória.

    O rapaz pode até não ser racista, mas este outro post é típico de pessoas racistas:

    “Qual a cor das pessoas q venderam os negros pros brancos na Africa? Somos todos da mesma raca: a raca de filhos da puta. Relaxem e se matem.”

    Abraços e Parabéns!

  49. Achei de péssimo gosto a matéria do D.Gentili. No mundo que milhares de pessoas estão cultuando a paz, a tolerância e o respeito ao próximo,o cara me vem com esse tipo de comentário, pq nem piada é. É um cara retrogado. Repito: Quem disse que podemos chamar um homosexual de veado, uma loira de burra, um gordo de elefante… e achar que isso algo normal??? Que infelicidade um cara desse estar na TV. Eu assistia o programa CQC, agora não vou assistir mais. Assim como compro os produtos feito ecológicamente corretos também só assito aquilo que acho que pode trazer coisas melhores ao mundo e não incentivar ao desrespeito. Fico preocupada com a educação que esse rapaz dá ou dará aos seus descendentes. Espero que ele se retrate demonstrando ser alguém inteligente.
    Cristina

  50. Graças a Deus encontro pessoas sensatas no mundo! Vc , a Marjorie e tantos outros que denunciaram este embuste chamado “humor inteligente” do Sr. Nojentilli!!!!

    Ser moderninho, cool e cagar uma de que “não tô nem aí pro politicamente correto” é muito fácil atrás de uma tela de TV e de computador !!!

    Queria ver se ele tinha coragem de chamar pessoalmente o Tyson de macaco!!!

    Postei sobre o infeliz episódio no meu blog, e permita-me linkar este texto tão fantástico!

    Abraços de sua nova fã!

  51. Olá, Túlio
    Excelente postagem. De fato assim com o Riso positivo é benéfico para a nossa saúde, o riso negativo é destrutivo. O Riso pode ajudar a curar, mas também a matar. Cabe a nós utilizá-lo na dose e forma correta. Eu acredito nisso e me dedico a propagar os benefícios do riso positivo ao maior número possível de pessoas.
    Convido-o a visitar meu blog: http://doutorrisadinha.blogspot.com e conhecer um pouco mais desta minha atividade.
    Abraços, SORRIA E TENHA UM BOM DIA
    Marcelo Pinto (Doutor Risadinha)

  52. Eu como um piadista, estava até pensando em mudar minha postura nas minhas piadas. Mas não, assumo que sou preconceituoso e pronto. Não vai dar para fugir desse rótulo mesmo…

    Porque, até onde eu sei, rir da “classe média e de seus valores pequenos burgueses” também é caracterizado como preconceito, então…

    Continuarei a fazer piadas sobre tudo, inclusive afro-descendentes, caucasianos, homossexuais, judeus, et caetera, a diferença é que eu não me preocuparei mais com demagogias!

  53. Pingback: A Xuxa e o Twitter
  54. Discordo. Eu sou contra a proibição de qualquer, QUALQUER manifestação que se faça de idéias, mesmo que elas sejam as masi execráveis que se possa imaginar.

    O sujeito quer chamar negro de macaco? Que chame! Quer chamar italiano de carcamano? Não faz mal! Quer tatuar uma suástica no meio da bunda? Azar o dele!

    E por uma razão prática: utopias como o anarquismo, ou a sociedade em falanstérios, dentre outras utopias do século XIX, foram liberadas para discussão aberta. Uma vez que um sujeito possa ir a público defender as teses, digamos, do anarquismo, inicia-se um debate público aberto, sem melindres, sem tabus, sobre o tal anarquismo. E como o debate é aberto, limpo, os argumentos do anarquista acabam sendo derrubados de forma RACIONAL com CONTRA-ARGUMENTOS.

    Agora, ideologias como o nazismo, que são proibidas, não morrem jamais. Simplesmente porque são proibidas. O sujeito que é nazista, não tem como discutir abertamente sobre isso, e nem vê na mídia e nas ruas o assunto sendo debatido de forma aberta e franca. Ou seja: ele é PROIBIDO de ficar adorando o Hitler (mas vai adorar de qualquer jeito, escondido no seu quarto). Se ele pudesse dizer, a plenos pulmões “Eu sigo o Hitler!”, então alguém poderia contra-argumentar. Como os argumentos por baixo da teoria racial defendida pelos nazistas são completamente furados, através de uma discussão RACIONAL, o nazista acabaria vendo que está seguindo um monte de bobagens pseudo-científicas.

    Pergunto: quando é que os comunistas foram mais fortes e atuantes no Brasil? Quando foram proibidos, porque as pessoas matavam e morriam pela revolução, mas nunca discutiam as razões dela de forma franca e racional. Se fizessem isso, com certeza os lados chegariam ao entendimento da verdade por trás de toda aquela luta ideológica. Como não havia abertura para isso, restava a cada um acreditar na sua ideologia, cegamente, e brigar até o fim por ela.

    O sujeito é racista? Acredita que os negros são menos inteligentes do que os brancos? Fácil. Não se deve proibir que o sujeito diga “eu acredito na diferença de QI entre as raças” – só que, quando ele disser isso, e a sociedade aceitar numa boa, ocorrerá inevitavelmente a idéia de testar isso cientificamente. “os negros são mais burros? Então prove!” – quem defende essa idéia racista teria que submeter pessoas de raças diferentes a testesd e QI – que concluiriam (como já concluíram no passado) que a diferença está apenas na cor da pele.

    Agora, se a discussão é proibida, por consequencia, a própria experiência em cima do debate não ocorrerá, e a briga vai, para sempre, continuar no campo do “preconceito X politicamente correto”. Um beco sem saída.

    Se alguém vem, e me diz que a Terra é quadrada, eu deixo a pessoa falar. Ela tem todo o direito! mas eu tenho então o direito de argumentar o contrário e mostrar-lhe fotos de satélite. É melhor do que mandá-la calar a boca e mandá-la para a cadeia.

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