FIFA: não ao proselitismo religioso em campo!

Matéria do Estadão de hoje: Fifa repreende comemoração religiosa da seleção brasileira: federação manda alerta à CBF após o Brasil ser acusado de utilizar o futebol como palco para a religião.

A sabedoria popular ensina que futebol, política e religião não se discutem. E eu acrescento: não devem se misturar também.

Não deveriam, mas se misturam: quantos candidatos a cargos públicos não foram eleitos por seu time ou por sua religião? quantas e quantas vezes o nome de Deus não é invocado em favor de um time de futebol (por que Ele deveria proteger o seu time e não o meu?)? E agora mais essa: os jogos de futebol sendo utilizados como propaganda religiosa.

“Ah, não tem nada demais isso”, dirão muitos; “É só um agradecimento a Deus por parte de um fiel”, dirão outros.

Não, não é. É proselitismo religioso.

Se o intuito é agradecer a Deus, os jogadores deveriam organizar um culto (ecumênico, católico, protestante ou o que preferirem) longe dos gramados, ou simplesmente, fazerem suas orações no vestiário. Showzinhos de demonstração de fé perante as câmeras estão mais para propaganda religiosa pura e simples do que para sincero agradecimento a Deus.

O torcedor não vai ao campo interessado em religião. Ele vai para assistir a futebol, quando possível, de boa qualidade e para torcer pela vitória de seu time.

Aproveitar uma vitória para divulgar uma religião para milhares de pessoas que compareceram ali e para milhões que ligaram sua TV para assistir ao futebol é marketing religioso barato. Ou melhor, gratuito (a Nike paga um bom dinheiro para colocar sua marca no uniforme da seleção brasileira; as religiões não precisaram pagar nada).

Se a moda pega, haverá espaço na seleção brasileira para jogadores muculmanos? budistas? ateus? Sim, porque se não há mal algum em ver o Kaká com uma camisa “I belong to Jesus”, um outro jogador pode querer usar uma camisa “Deus um delírio” e ninguém vai poder reclamar. Ou vai?

E se o jogador em vez de propagandear seu deus, resolver divulgar seu candidato? Na Copa do Mundo poderíamos ter jogadores na seleção “Vote Dilma!” e “Vote Serra!”. E o torcedor em casa “rezando” para o “Vote Serra!” ser substituído e para o “Vote Dilma!” fazer um gol.

A “guerra” em campo é em nome de um time e não de um candidato ou de um Deus. O esporte historicamente sempre uniu os povos, em torno do lúdico. Que a religião não entre em campo para separar jogadores e torcedores de um mesmo time.

Cada um no seu quadrado!

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Atualização em 21/7/2009, às 21h17 : ‘Apóstolo’ concede a Kaká a unção de presbítero da Renascer.  Pronto! Kaká agora pode fazer proselitismo “oficialmente” em campo.

Atualização em 2/8/2009, às 16h50: Juca Kfouri concorda comigo.

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48 thoughts on “FIFA: não ao proselitismo religioso em campo!”

  1. Não concordo. Acho que o jogador pode expressar o que quiser. Isso já aconteceu em outros esportes e não é sinal de nada, a não ser uma manifestação religiosa. Se as religiões se tranformaram em marcas, é um problema das religiões, não dos jogadores que resolveram divulgar essas aberrações.
    Se chegarem, inclusive, a fazer propaganda de políticos, acho normal também. Ajudaria a fazer o tema da política atravessar o futebol. E ajudaria a entender como um jogador muito bom pode ser de extrema direita e, também por isso, passível de crítica. Uma coisa é político fazer campanha com religião. Isso é absurdo porque muita gente lutou para que o estado seja laico. Outra coisa é um jogador fazer campanha pra religião que bem entender, ou pro político que bem entender. É um direito dele.
    Ps: Sou ateu e não votarei nem na Dilma e (muito menos) no Serra.

  2. A palavra é LIBERDADE.
    Se o cara quer usar, em seu local de trabalho, uma camisa que enalteça o Deus a quem serve, se ele acredita na ação de Deus inclusive em sua performance, tem todo o direito de agradecê-lo publicamente. Nada contra mesmo.

    Ah…sou cristão, sim. Nada contra se outras religiões (até ateus) o fizerem também…direitos são direitos…

  3. Como já foi dito em muito lugar, só gera debate esta questão pq estão com medo dos africanos e muçulmanos tb se exporem, isso é racismo.

    Claro que precisa haver limite, como coibir camisetas com mensagens, que podem trazer problemas mais sérios. Mas rezar e agradecer a Deus é tão ofensivo assim para o mundo?

  4. Parabéns, Túlio. Mas vejo uma outra coisa: A intolerancia religiosa, sobretudo dos evangélicos ditos petencostais. Eles não toleram e discriminam outras religiões, a Africa, como sabemos, a maioria é de tradicionalmente muçulmana, então kaká não teve o devido respeito ao tirar a camisa e mostrar suas preferencias religiosas em campo muçulmano.

  5. Ótimo post! Não vi nenhum jornalista com diploma falando sobre isso! Os jogadores fazem isso o tempo inteiro e a imprensa não fica atrás, olha só o Globo Esporte falando que a força do Felipe Melo (jogador da seleção) está na religião, daí mostra o cara gritando ‘glória a deus!”

    Olha só:

    http://migre.me/37ZW

    Fiz uma busca pela palavra “deus” no site do Globo Esporte, 29.379 resultados encontrados.

  6. Frabricio
    acontece que kaká e os demais estão representando a nação brasileira e não a si próprios. E, se a sociedade brasileira é plural no ãmbito religioso porque a seleção tem de ser cristã?
    E se o Estado é laico, porque a seleção, seu símbolo midiático tem de ser religiosa?

  7. O ponto é que, naquele contexto, os jogadores são representantes do Brasil. É um momento de vitória do país no Esporte, não um triunfo individual somente. Fazer menções religiosas, políticas ou amorosas é personalizar algo que deveria ser comum a todos.

    Como bem disse alguém na Copa de 2002, quando o Cafu antes de levantar o troféu gritou “Regina, Eu te Amo”, há a privatização de uma celebração que deveria ser pública.

  8. Excelente Túlio, e, novamente, sorry pela falta de link, haha!

    Há de se compreender – para alguns que comentaram aqui – que uma coisa é liberdade, outra é proselitismo.

    Camisa religiosa no trabalho é falta de noção. Quer andar na rua? à vontade, mas no trabalho vocÊ deve se vestir de forma neutra, sem ofender ninguém, é o mesmo que usar uma camisa de time de futebol. Trabalho não é lugar disso.

    Assim como nos gramados. É um trabalho. Alí, aliás, a coisa tem outra proporção, são milhões de pessoas vendo, alguém realmente acha que os jogadores usam camisas religiosas só por acreditar ou se sentir bem ou é pra divulgar, fazer exatamente proselitismo?

    Qual seria a intenção de usar uma blusa com “I belong to jesus” por debaixo do uniforme senão retirar o uniforme e demonstrar, pregar, propagandear?

    Isso deve ser proibido.

    se me permite a propaganda, meu lado da questão: http://tsavkko.blogspot.com/2009/07/o-futebol-tem-seus-proprios-deuses.html

  9. Sou taoísta, o que na prática, pra essa questão, vale tanto como ser ateu ou agnóstico. [já que o Tao é iconoclasta]

    Tulio, vejo um erro na sua argumentação. Você é um penalista, sabe que não deve haver proibições sem lesões.

    Eu concordo com: 1. Também possam haver jogadores com camisas salvando seu orixá ou dizendo que Deus é um delírio
    2. Se algum jogador for proibido de jogar na seleção por sua crença, isso será um absurdo! [e nós deveríamos pesquisar pra sabermos se de alguma forma os princípios do serviço público se aplicariam à seleção]

    Mas Tulio, veja, todos podem manifestar seu pensamento, e os jogadores sequer fizeram propaganda, fizeram publicidade. Porque como você sabe, no Direito do Consumidor existe a diferença entre a propaganda [com fins lucrativos] e publicidade [sem fins lucrativos].

    As camisas particularmente também me incomodaram, e muito. E as entrevistas, sobretudo a do Lucio, tambem. Mas é direito dele acreditar no que quiser… e divulgar a mensagem que quiser quando ganha um campeonato. Note que ele tava passando por uma dificuldade pessoal, e recorreu a fé religiosa para superá-la. Esse é um direito dele. E conseguiu superá-la. Quis divulgar isso, e esse é um direito dele também.

    Ninguém remeteu as camisas a alguma instituição, ex. Igreja X ou Y, por mais que seja de conhecimento geral a instituição que se vincula a alguns jogadores como Kaká.

    Público e particular não se misturam, como você bem salientou, e por isso mesmo os principios de direito público não deveriam incidir sobre o âmbito particular de um jogador, que antes de tudo é ser humano, e quer expressar sua crença.

    O direito só deve incidir onde há lesão. Se você, preventivamente e se antecipa à dinâmica dos fatos e prevê que haverá confronto social entre jogadores cristãos e jogadores muçulmanos, o que eu digo é: A responsabilidade civil subjetiva, pelos fatos, examinados ‘a posteriori’, e nao a priori.

    Alias, esse negócio de “prever” conflitos sociais me lembra muito o varguismo…

    um abraço,
    Thiago

  10. Tambem nao concordo. Isso e’ mais um sintoma dessa neura religiosa que vem se expandindo cada vez mais desde 2001 e a onda de se relacionar islamismo ao terror. De la pra ca, cada coisa minima relacionada a religiao vem causando um terremoto. E o pior e’ que algumas pessoas que apoiam esse ponto de vista vem depois reclamar de falta de liberdade de expressao. E’ a incongruencia de argumentos em seu mais alto grau.

  11. Acho que o campo não é palco pra isso que estamos vendo nos jogos, mas em momento nenhum vi alguma coisa sobre religião como igreja, vi apenas o nome de Deus, ainda bem né, só faltava os jogadores entrarem com camisas do tipo: Venha para minha igreja “X”.
    Sei lá né.

  12. Como já foi dito em muito lugar, só gera debate esta questão pq estão com medo dos africanos e muçulmanos tb se exporem, isso é racismo.

    Claro que precisa haver limite, como coibir camisetas com mensagens, que podem trazer problemas mais sérios. Mas rezar e agradecer a Deus é tão ofensivo assim para o mundo?[2]

    Cada um faz a manifestaçao, demonstraçao de amor que quiser, entao se for assim o Cafu nao poderia ter falado: Regina Eu Te Amo….

  13. Beleza! Mas e a liberdade de expressão, onde foi que você enfiou??? Não responda!!

    🙂

    No mais… conforme seu argumento, a propaganda só é mostrada quando os jogadores vencem, certo? E se eles tivessem perdido a partida? Será que mostrariam, ainda assim, a camisa agradecendo a Deus pela derrota??? o.O

    Se o cara acredita que foi Deus (e não o mérito individual) quem deu a ele a vitória, que mal tem ele agradecer???

    Get over it!!!

  14. O abraço do discurso religioso não somente no futebol mas em outras esferas da vida social precisa ser analisado com mais cuidado. Não adianta tentar separar em teoria o que as pessoas não separam em vida. Não sou religioso, porém, na minha compreensão, a procura pelo discurso religioso está mais ligada ao enfraquecimento de outros discursos que nos proporcionaram as ‘verdades’ que abalizaram nossas vidas até agora, como o discurso científico, por exemplo. A objetividade da ciência moderna não nos garantiu a felicidade (e também não garantiu, por meio da tecnologia que produz, um melhor e mais bonito futebol, melhores atletas e um esporte mais justo ou qualquer coisa desse tipo) e, percebendo isso, a sociedade no geral (não somente os jogadores) estão a procura de outras compreensões. Em tese, esse também seria o motivo principal para o crescimento da procura por cultos religiosos, além da procura por romances de mistérios do tipo “O Código Da Vinci” e “Anjos e Demônios”. Em tese, estamos a procura de outras explicações para a própria vida.

  15. “Marketing religioso gratuito”: será gratuito mesmo? Se essa divulgação vale tanto pra Nike e etc, quanto vale pra uma Igreja dessas?

  16. Não vejo como chamar isso de proselitismo religioso.
    Falar de religião é sempre muito delicado.
    Na hora de comemorar a vitória, é natural que agradeçam àquela entidade que crêem, por mais irracional que isso pareça aos olhos dos ateus. Se acreditam que a vitória veio por alguma força sobrenatural, o problema é deles.
    Colocaram camisas de religião, e daí? É a revelação de uma crença pessoal. E como você mesmo disse, Túlio, religião não se discute.
    Se ele crê e quer mostrar que crê, nada o impede, desde que não seja no meio da partida.
    Depois do apito final, cada um pode agradecer ao deus que quiser, e cabe aos outros respeitar a crença. Se o público fica incomodado, pode ir embora. Afinal, ele já torceu pela vitória do seu time. É o jogo que interessa, não a comemoração dos jogadores.

  17. A seleção brasileira só representa o nosso país no futebol, e não em outras áreas, como alguém aqui quis generalizar (talvez nem no futebol, pois eu mesmo não estou nem aí se o Brasil perder… apenas admiro um bom jogo, independentemente do resultado).

    Sou a favor da liberdade de expressão, respeitados os direitos individuais. Não consigo compreender de que forma a atitude dos jogadores brasileiros pode ter ofendido algum direito individual. Houve algo de imoral, antiético ou, de alguma forma, ofensivo, que traga prejuízo a alguém?

    E qual o problema se os muçulmanos quisessem comemorar também? Por acaso, eles iriam levantar a camisa, exibir um colete cheio de explosivos e detonar todo mundo, revelando-se um homem-bomba? É disso que os europeus têm medo? (se for, então são muito ignorantes mesmo)

    Se começarem a podar demais as comemorações, vai chegar a uma situação onde não ela não mais existirá, pois o simples ato representaria uma falta de respeito aos adversários derrotados, tristes por terem perdido o título. E, ainda assim, alguém achará isso uma arrogância, pois o time venceu e não comemorou. Enfim, nada (e ninguém) jamais conseguirá agradar a todos simultaneamente.

    Francamente…

  18. Pessoas equivocadas, fazem mal uso da palavra.
    não foi comemoração e sim agradecimento. Brasil é um País. Jesus conquistou a liberdade na cruz. Se o Jim Stjerne Hansen, diretor da Associação Dinamarquesa, não gostou, que ele não permita isso na Dinamarca. todo mundo implica com a Seleção Brasileira. Até o agradecimento a Deus, implicaram. fala sério. comedia de mais vcs.

  19. Oi Túlio, excelente post.

    Isso é fato (o proselitismo religioso), mas ninguém tem coragem de colocar o dedo na ferida e não é só no futebol não no show bizz brasileiro também. Nos gramados a hipocrisia é ainda mais gritante, passam 90 minutos xingando uns aos outros e no final todo mundo é santo e “irmão”, obreiro e por ai vai…
    Agora aparecem os defensores da liberdade de expressão, liberdade de expressão massificada é o que eles querem isso sim:
    Queria ver a cara desse pessoal se um jogador marcar um gol (na final da Copa) e mostar essa camisa aqui: http://www.musikmachine.com/images/tsbatho01.JPG

    Abraços,

    Lucas

  20. Oi Genaro

    O fato de representarem a seleção brasileira de futebol não tem que fazer deles representantes de todos os credos da nação. Como equipe, representam o Brasil, mas depois da partida, são indivíduos, que têm liberdade de expressão, inclusive religiosa.
    Vou dar o mesmo exemplo que postei nos comentário do blog do Maurício Stycer. Não vejo fervor religioso maior do que a mudança de um nome. Nem por isso, ninguém considera Muhammad Ali pior lutador de boxe, por ter optado por um nome islâmico. Nem no país do pavor ao diverso, que é os EUA.
    Abraço

  21. Eu não assisto futebol. Alguém pode me dizer o que aconteceu para tanta gente ser contra ou a favor?

    Tomando por base alguns dos comentários, parece até que os jogadores estão envolvidos numa conspiração para arrebanhar fiéis entre os telespectadores.

    Eu lembro uma vez que uma equipe de reportagem me parou na rua e perguntou se eu topava gravar um depoimento sobre meio ambiente. Topei. Perguntaram minha profissão. Respondi que sou biólogo. Ficaram entusiasmados. Aí aconteceu o absurdo.

    O cara que veio me entrevistar disse que eu teria que fechar a jaqueta para não aparecer o texto da minha camiseta (propaganda de um congresso de Esperanto). O assistente já chegou pegando o zíper da minha jaqueta, tentando fechar.

    Eu interrompi o que ele estava tentando fazer e disse o seguinte: “Caras, eu sou assim, se vocês querem me entrevistar, é do jeito que eu sou, aparecendo o que eu estou mostrando, caso contrário vocês vão entrevistar um ao outro.”

    Então, se uma aeromoça quiser colocar um piercing na sobrancelha, se um milico quiser usar tranças ou se um jogador de futebol quiser mostrar para o mundo que acredita no Monstro de Espaguete Voador, na minha opinião eles estão no direito deles.

    Não entendo essa mania de querer ter cada detalhe do que os outros fazem sob controle. No que se diferenciam uma empresa que coíbe manifestações de qualquer fé e uma teocracia que coíbe manifestações de qualquer fé exceto a oficial?

    Se algo não está causando danos a terceiros impossibilitados de se defender, deixa rolar…

  22. “Depois do apito final, cada um pode agradecer ao deus que quiser, e cabe aos outros respeitar a crença. Se o público fica incomodado, pode ir embora.”
    “… mas depois da partida, são indivíduos, que têm liberdade de expressão, inclusive religiosa.”

    Discordo.

    Em primeiro lugar, é claro que cada um pode agradecer ao Deus que quiser, quando quiser, inclusive durante os noventa minutos, rezando. Pode também agradecer a Deus usando, o tempo todo, uma camiseta onde está escrito “I belong to Jesus”, por baixo. O que não dá é para agradecer a Deus, durante um evento oficial da FIFA, mostrando a tal camiseta ou matando uma galinha ou tirando a roupa ou fazendo uma fogueira ou se mutilando ou fazendo um bacanal. Não há, em princípio, NADA que justifique restringir a liberdade religiosa de quem queira dar tais demonstrações de fé – em contextos em que tais demonstrações não atentem contra as liberdades alheias. Mas é absurdo pensar que a liberdade de expressão possa garantir a qualquer um o direito de impor a alguém estas demonstrações.

    Em segundo lugar, o critério não é o apito final ou o fim da partida. O critério é o fim do evento oficial. Não haveria nada de errado se, depois de encerrado o evento, estes elementos chamassem entrevistas coletivas para fazer a sua propaganda, aproveitando tão somente a sua própria, limitada, notoriedade. Mas não: afrontam, conscientemente, propositalmente, uma parte do público que eles sabem que não foi ao estádio ou ligou a TV pra ser convertido e usam esta estratégia de fazer a sua propaganda usando a credibilidade alheia. São brancos e queridinhos da mídia, mas não passam de vira-bostas (http://www.flickr.com/photos/flaviocb/sets/72157603901330686/).

  23. “E agora mais essa”, “Se a moda pega”… Do jeito que você fala parece que jogadores começaram a orar ou agradecer a Deus pelos seus feitos só esta semana.

    Sempre achei cafona estas demonstrações explicitas de fé, mas agora que a patrulha do politicamente correto elegeu este tema como sendo a bola da vez, não vejo outra alternativa senão defender a liberdade de credo dos jogadores.

    Se for p/ proibir, que proibam toda e qualquer comemoração de gol também, deixar o Bebeto embalar uma criança virtual é propaganda gratuita, ele deveria ter pago caro como a Nike p/ poder usar da midia em prol do seu filho…

    Mais uma contribuição para fama de chatos dos ateus, logo logo vão chegar no nível dos veganos, mission acomplished!

  24. Cafonice é chutar um cachorro morto (criticar “a patrulha do poiliticamente correto”) como se isso bastasse para transformar uma questão moral numa questão estética.

  25. A liberdade de expressão foi para o espaço, não é!?

    Sou só eu ou alguém mais está vendo o que é laico se transformar em antirreligioso?

    A corrida contra o preconceito se tornou preconceituosa. Ninguém enxerga?

    Sou contra o crucifixo na parece do STF ao mesmo tempo em que sou plenamente a favor de qualquer pessoa carregar um crucifixo, seja na camiseta, no colar ou na tatuagem, mostrando para todos os que puderem ver.

  26. O engraçado são os os argumentos de que não há problema com as demonstrações, é liberdade de expressão, não fere ninguém, não tem intenção de nada… Oras, se o jogador usa um uniforme, então quer dizer que ele usa a blusa embaixo com inscrições proselitistas só pra dar sorte? Não é pra mostrar depois do jogo, depois de um gol?

    Alguém que usa uma camisa com alguma inscrição não quer ser visto? Não quer mostrar algo, passar uma idéia? Quer, ponto final.

    Hoje as seitas evangélicas são um perigo, gente como Edir Macedo, “Bispa” Sônia, RR Soares e afins são questão de segurança e sanidade pública. Enganam e roubam milhões. Deixem ao menos o futebol livre desta gente!

    Intolerância? Falta de Liberdade de Expressão? Censura? Não, é impor limites para a boa convivência. Slguém acha que os ateus iria ter a permissão de usar camisas criticando a religião? Não, não teriam, seriam proibidos. Porque os religiosos podem?

    Alguém acha que um Kaká não sabe da força de convencimento que ele tem? Da atratividade? Se eles usam uma chuteira “x” ela vende que nem água. Celebridades são exemplos. Se começam a pregar – sim, é pregação – com camisas e frases de efeito, slogans religiosos, acabam por influenciar milhões, fazem propaganda grátis para seitas e etc.

    Não é eu ou você usando uma camisa escrita “I belong to jesus”, é uma celebridade, uma referência, um exemplo fazendo propagada, proselitismo.

    http://tsavkko.blogspot.com/2009/07/o-futebol-tem-seus-proprios-deuses.html

  27. Meus caros,

    Obviamente, quem veste uma camisa com dizeres quer expressar o que pensa. E essa é a exata essência da coisa: deixe as pessoas expressarem o que pensam!

    E o limite para uma boa convivência é um “cale-se”? Só se desejarmos não dar ouvidos aos outros, como coisas — e não pessoas — que seriam. Isso não é preceito da igualdade cidadã que todos nós apregoamos!

  28. Anderson: Liuberdade de expressão não é o mesmo que libertinagem. Vou aparecer um uma camisa escrito “Heil Hitler”. Pode? Não, porque é abuso. Proselitismo religioso, para mim, causa tanto dano quanto.

  29. Pelo que foi divulgado, não houve quebra de nenhuma regra FIFA, pois o regulamento informa que a única proibição existente é a que faz referência a manifestações políticas e religiosas durante a partida. O agradecimento aconteceu após a partida.

    Particularmente, sou a favor da proibição de qualquer manifestação política ou religiosa durante a cobertura de eventos esportivos. Mas penso que seria mais correto a FIFA assumir que há um furo em seu regulamento e alterá-lo, extendendo as restrições para todo o período em que as delegações estiverem dentro de campo e nos eventos formais após a partida como entrevistas coletivas, área mista, etc. Repreender o Brasil não pega bem, pois não estavam fazendo nada de errado.

    Se a FIFA não alterar o regulamento, que esteja preparada para permitir que jogadores da religião XYZ comemorem títulos penitenciando-se com chibatadas transmitidas ao vivo para todo o mundo. Pois a única coisa que não vale é tratamento diferenciado para a minoria.

  30. “Liberdade de expressão não é o mesmo que libertinagem”

    Engraçado é que eu costumava ouvir isso na igreja. É por isso que eu digo que a agenda contra a intolerância está se tornando intolerante.

    Ah, sim. Uma boa e honesta questão: qual a diferença entre expressar-se e fazer proselitismo? Estou saindo de casa agora com minha camisa do Wolverine, mas isso não vai necessariamente convencer alguém a se juntar à causa nerd.

  31. “Se a FIFA não alterar o regulamento, que esteja preparada para permitir que jogadores da religião XYZ comemorem títulos penitenciando-se com chibatadas transmitidas ao vivo para todo o mundo. Pois a única coisa que não vale é tratamento diferenciado para a minoria.” (Haroldo Ribeiro Gomes, logo acima)

    HAHAHAHAHA!!! Adorei essa! Eu talvez passasse a assistir futebol! 🙂

  32. Eu sempre estou batendo nessa tecla. Fico pensando: “Ninguém é ateu neste time?” ou “Todos são cristãos?” O que me incomoda nessas demonstrações de fé é o fato de que este ‘show’ traz consigo o ideal ocidental de religião: “O CRISTÃO”, como se todos fôssemos! Eu não sou cristão, sou ateu. Pesquisei religiões por muito tempo e até mesmo por isso tenho uma visão ampla da questão. Tenho plena convicção de que o Mr. Kaká (o bom samaritano), na sua cega fé, acharia infiel, desviado, etc. um jogador que fizesse parte do movimento da umbanda, candomblé, ou um ateu. Fico entristecido, mas o futebol é complicado, “I BELONG JESUS”, nossa, isso me irrita. Proselitismo religioso usada por alguém que vende seu sorriso (kaká), o rosto bonito do futebol! O craque! O IDEAL! O CRISTÃO! Este estereótipo ou arquétipo que me incomoda. Não, ele não é O IDEAL porque é cristão! Não posso conceber esta ideia!
    Até

  33. A FIFA PROIBE ORAR, É JUSTO?

    GENEBRA – A comemoração do Brasil pelo título da Copa das Confederações, na África do Sul, e o comportamento dos jogadores após a vitória sobre os Estados Unidos causaram polêmica na Europa. A queixa é de que a seleção estaria usando o futebol como palco para a religião. A FIFA confirmou à Agência Estado que mandou um alerta à CBF pedindo moderação na atitude dos jogadores mais religiosos, mas indicou que por enquanto não puniria os atletas, já que a manifestação ocorreu após o apito final. Ao final do jogo contra os EUA, os jogadores da seleção brasileira fizeram uma roda no centro do campo e rezaram. A Associação Dinamarquesa de Futebol é uma das que não estão satisfeitas com a FIFA e quer posição mais firme. Pede punições para evitar que isso volte a ocorrer.

    “A religião não tem lugar no futebol”, afirmou Jim Stjerne Hansen, diretor da Associação Dinamarquesa. Para ele, a oração promovida pelos brasileiros em campo foi “EXAGERADA”. “Misturar religião e esporte daquela maneira foi quase criar um evento religioso em si. À Agência Estado, a entidade confirmou que espera que a FIFA tome “providências” e que busca apoio de outras associações. Fonte: Agência

    Ser “EVANGÉLICO” virou moda e tornou-se uma febre no meio esportivo, basta dar uma olhada nas transmissões de jogos pela TV e lá estão os “PSEUDO-EVANGÉLICOS” erguendo as mãos para o alto, fazendo o sinal da cruz, exibindo camisas, balbuciando palavras às vezes desconexas sem falar no tradicional “Pai Nosso”. Este ultimo é na base do BERRO como se fosse um “GRITO DE GUERRA” entre os atletas, mesmo que eles não tenham, na maioria das vezes, qualquer comportamento que expresse aquilo que estão REZANDO. O que me deixa perplexo e intrigado é ver pessoas que se declaram evangélicas aprovando tais práticas como se isto fosse um ORGULHO para a religião. A prova está aí, a febre KAKÁ que está mexendo com os evangélicos por ter o mesmo se declarado seguidor de uma das milhares de religiões existentes. A dele é a mesma dos Apóstolos ESTEVAM HERNANDES E SÔNIA HERNANDES os mesmos que foram detidos nos Estados Unidos por sonegação, com $50.000,00 dólares escondidos na BÍBLIA.

    Neste caso duas palavras me chamam a atenção, CAUTELA e PRECAUÇÃO. Cautela porque não é assumindo uma posição diante de um compromisso religioso que se pode definir um verdadeiro cristão, há de se analisar toda a sua conduta diante de todas as circunstâncias. Precaução porque hoje existem entidades que se definem como igrejas, mas que em nada se identificam com os princípios elementares na sua forma de adorar a Deus. Se duvido destes testemunhos? Com certeza absoluta! Não me convence, baseado nas ESCRITURAS, esta forma de espetacularizar e usar a fé transformando-a num meio de propaganda de GRUPOS RELIGIOSOS, que coloca de lado as questões básicas no exercício racional da fé. Como disse, hoje qualquer um e em qualquer lugar pode se declarar um EVANGÉLICO, fato que não dá nenhuma sustentação para acreditarmos que tais pessoas realmente tenham um comportamento adequado e afinado com os ensinos de Jesus.

    É justa a posição da FIFA? Não tenho duvidas quanto a isto uma vez que os evangélicos, isto inclui todos os grupos, se eximiram da responsabilidade de tomarem uma atitude mais forte nesta HIPOCRISIA RELIGIOSA. O que me deixa preocupado é que foi preciso a FIFA chamar a atenção de dirigentes para por um freio nesta exploração irracional da fé nos jogos de futebol. Prefiro assim a ter que conviver com a desmoralização da religião que já alcança índices alarmantes em nos quatro cantos da terra. Esta farsa religiosa precisa urgentemente ser desmontada, do contrário, só Deus sabe onde vamos parar!

    “BEM-AVENTURADO o varão que não anda segundo os conselhos dos ímpios, nem se detém no caminho dos PECADORES, nem se assenta na roda dos escarnecedores. ANTES, tem o seu prazer na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite” – Salmos 1 : 1 e 2. Este texto por si só da a dimensão exata do que deve ser a vida de um cidadão comprometido com o Evangelho, ele explicita qual deve ser a conduta que o homem deve ter para ser bem sucedido na sua vida. Paulo recomenda: “Fugi da APARÊNCIA do mal” – I Tessalonicenses 5:22 o que me permite afirmar que no mínimo há algo incompatível nesta onda de se envolver as questões religiosas com as práticas esportivas. Ali é um JOGO, portanto, condenável diante das Escrituras. Você pode refutar dizendo que é apenas uma PROFISSÃO no que não discordo, mas para um cristão verdadeiro fica muito claro que há alternativas para que ele possa ganhar a vida sem se envolver com coisas desta natureza. Nesta linha de raciocínio um CARRASCO que se declare cristão está isento da condenação por ser um PROFISSIOINAL da morte. Desculpe a minha ignorância, mas prefiro um Evangelho que não esteja ATRELADO com as coisas deste mundo, mesmo que isto pareça utópico. Esta banalização da religião e esta exposição na mídia em nada contribuem para o fortalecimento do cristianismo, pelo contrário, o que se vê é uma enxurrada de produtos piratas rotulados de igreja negociando a fé do povo em troca de qualquer coisa, e quando o assunto é DINHEIRO a coisa fica ainda mais evidente.

    Assim, para a nossa HUMILHAÇÃO e VERGONHA, foi necessário que uma entidade sem qualquer relação com o cristianismo, a FIFA, tomasse uma posição dura, já que nós coitados religiosos de fachada sequer fomos incomodados com estes desmandos que notadamente maculam a história da religião. Já veio tarde e eu espero que os nossos líderes consigam enxergar neste posicionamento os seus equívocos religiosos e passem a tratar o cristianismo com respeito evitando constrangimentos desta natureza para o exercício da fé.

    “…Que não vos movais facilmente do vosso entendimento, nem vos perturbeis, quer por espírito, quer por palavras, quer por epístola…” – I Tessalonicenses 2:2.

    Carlos Roberto Martins de Souza
    crms2casa@hotmail.com

  34. No fundo, todo este blá-blá-blá do politicamente correto e da tolerância passa por cima dos valores coletivos que permitem a convivência. Só vi aqui a defesa dos direitos individuais.

    O esporte é o resultado das ações de um grupo que obedece regras muito claras e conhecidas por todos. Esta palavra é fundamental no esporte e muito incômoda para os pseudodefensores da expressão individual e da famigerada tolerância.

    As Regras organizam as ações dos grupos que praticam o esporte. Ninguém chama o que rola dentro do jogo (obediência as regras) de “falta de liberdade de expressão individual”. Não posso dar porrada no adversário e nem fazer um gol com as mãos. Faço parte de um time, de uma equipe e sigo as regras comuns que me permitem vencer um jogo. Não se vence o jogo apenas porque deus ou o diabo me ajudaram mais ou menos na hora de jogar. Se vence porque se trabalha muito em grupo, disciplinadamente, em equipe para que aquele momento seja possível e mágico e mistico ou seja lá o que for.

    A comemoração individual, como se os demais não existissem, como se minhas dificuldades e superações pessoais fossem mais importantes que as do conjunto do qual faço parte é egocentrismo.

    Faço parte de uma equipe que trabalhou muito para vencer o jogo. Vestir minha camisetinha de jesus ou do diabo para exaltar minha fé é no mínimo uma falta de respeito aos demais que não acreditam ou não fazem isso.

    Este é o ponto: o cara estava lá em cima como se fosse um sujeito que não fazia parte de um grupo, de um “coletivo” com diferentes filosofias de vida, religiões e crenças. O resto é discutir sobre as marolas que uma pedra provoca na superfície do lago.

    A pedrada que me atingiu foi a falta “un poquito de por favor”, como dizem aqui na Espanha.

  35. Pergunto mais um vez, Túlio: como diabos alguém COMEMORARIA um gol falando “vote em Dilma”? Como você diz que são a mesma coisa?

  36. Bom, como disse uma outra pessoa(antonio marcos pires) num outro blog sobre esse assunto:

    meu caro o futebol é democrático,e todos os seus participantes, tentam passar uma mensagem daquilo que acreditam,se proibiram manifestação cristã, que proibão também a dança na comemoração, a superstição que é forte no mundo futebolistico, os palavrões, enfim tudo que possa de alguma forma influenciar, ou virar uma tendência, ha coisas muito mais importante para a fifa rever e se preocupar,como por exemplo a paradinha que é desleal com os goleiros,o racismo que cada vez é mais forte no futebol, vou mais além a violência que toma conta dos estádios, meus amigos tirar a manifestação cristã dos estádios é ferir um direito de expressão, de expor aquilo que acreditamos.

  37. Queria só comentar uma resposta que li lá mais para cima:

    “As Regras organizam as ações dos grupos que praticam o esporte. Ninguém chama o que rola dentro do jogo (obediência as regras) de “falta de liberdade de expressão individual”. Não posso dar porrada no adversário e nem fazer um gol com as mãos.”

    Só para quem não sabe, o direito individual e a liberdade de expressão acabam quando começam os dois outros. Portanto não podemos nos expressarmos de qualquer maneira, se tal afetar ou prejudicar os direitos dos outros.

  38. Cada coisa em seu lugar.
    Manifestações em locais aonde sua repercussão é potencializada, ainda mais quando realizadas reiteradas vezes, ofendem o direito daqueles que pensam diferente e que não tem oportunidade de se manifestar com igualdade. Lembra a imposição política que faz, por exemplo, a Rede Globo de Televisão.
    O dificil é fazer, quem se manifesta de tal forma, entender que pode causar ofensa, ou no mínimo constrangimento a quem pensa diferente, como uma massiva propaganda não desejada e não solictada.
    Eu tenho o direito, por pensar diferente, de não assitir a estas manifestações, e isso pelo que parece, jamais irão entender os que defendem. É impressionante como ignoram este raciocínio. Não quero assitir a isso, tenho o direito.
    Sem falar, que no caso, por condições de segurança internacional, podem causar ofensa às comunidades muçulmanas, que costumam reagir, a seu modo, contra o que julgam provocações, não nos esqueçamos disto.
    Não me proíbam, de assitir em paz uma religiosamente imparcial partida de futebol.

    Renzo Radicchi

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