Uma interessante discussão no Twitter, na manhã de hoje, sobre a divisão de classe-social no capitalismo contemporâneo foi suscitada por um comentário jocoso meu na noite anterior sobre a “classe-média”:
ser classe-média não é uma questão meramente de salário; é preciso uma identificação cultural e um compartilhamento de valores.
Uso a expressão classe-média me referindo a classe social e não econômica (A,B,C,D,E) e sem nenhuma pretensão de precisão científica.
Classe social é um conceito muito mais amplo que o de classe econômica, pois além de renda é preciso levar em conta uma série de fatores.
A tradicional divisão em 3 classes sociais (capitalistas, proletários e classe-média) não tem grande valor científico nos dias atuais.
Um motorista de ônibus pode até ganhar o mesmo que um vendedor de loja de grife, mas eles não compartilham valores suficientes de classe.
um pipoqueiro é proprietário de seus meios de produção e nem por isso pertence à classe alta.
Daí eu fiquei pensando: se no capitalismo industrial a produção da riqueza está voltada à transformação da matéria-prima em bens industriais e a divisão de classe foi pensada com base em quem era ou não proprietário dos meios de produção, no capitalismo pós-industrial, no qual a produção da riqueza é gerada a partir da produção da informação, não seria o caso de dividirmos as classes com base na relação que o trabalhador tem com a informação?
Deixo aqui meu esboço de divisão de classe social no capitalismo pós-industrial, para que cientistas sociais mais versados no tema que eu possam desenvolvê-lo melhor ou simplesmente refutá-lo.
- “Proprietários” da informação: quem detêm os direitos autorais, patentes e segredo industrial da informação;
- Produtores da informação: professores universitários, jornalistas, profissionais liberais que produzem informação para o uso diário (advogados, médicos, etc)
- Consumidores da informação: profissionais que trabalham em atividades burocráticas sem que haja produção direta de informações, mas nas quais a informação seja necessariamente utilizada;
- Sem acesso à informação: profissionais de atividades braçais que não exigem o uso de informações para serem realizadas.
Não sei se, a partir desta simplória divisão inicial, poderíamos chegar a uma divisão com bases científicas, mas deixo aqui a reflexão registrada. Se alguém animar de desenvolvê-la, ficaria feliz em ler o trabalho.